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Feira da Ladra

 

Sou gato vadio que gosta de deambular pela cidade e fotografar. O que seja. A placa do nome de uma rua, o que está escrito numa parede, a calçada romana, o que for.

 

Não que seja bom fotógrafo. E utilizo essencialmente o telemóvel para captar o momento. Mas gosto. E partilho.

 

Precisamente por não ser bom fotógrafo é que preciso tirar muitas fotografias para aumentar as probabilidades de conseguir uma decente. E desde que não estamos dependentes de custos com rolos e revelações, então é que é mesmo tirar umas atrás das outras.

 

Costa da Caparica

 

(É ir fazendo as contas ao espaço de armazenamento que isto requer)

 

Para além de ter a mania que sou fotógrafo, a família vê-me como fotógrafo de reportagem das festas familiares onde podemos eventualmente ter de corrigir a iluminação dos quintais que se estendem à família e amigos quando o ângulo não ajuda. E todos querem ficar bem. Tira mais uma. E outra. E outra.

 

E não fica por aqui. A tia que ia ficar um tempo sem ver a menina quis uma cópia de todas as fotos de todas as máquinas da festa (andavam cinco telemoveis e quatro máquinas fotograficas, alguns encheram dois cartões de capacidade generosa) Aquilo é foi uma jornada de "cópias privadas" que acabou com toda a gente a ter pelo menos, uma cópia de todas as fotos e vídeos da festa.

 

Eu, gato vadio com a mania das fotografias, sou o responsável por fazer chegar tudo a toda a gente. Ele é para meter na sala a passar na moldura eletronica, ele é levar no telemóvel e mostrar lá no trabalho, ele é fazer um backup de tudo não vá o diabo tecê-las..

 

E utilizo tudo. Discos internos e externos generosos, sd cards, pen drives, dropbox... E como se não bastasse gostar de tirar fotografias, ainda gosto de fazer coisas com elas. Como este blog. Desenhado a partir de uma fotografia tirada a uma edifício abandonado :)

 

E porque as fotografias podem servir para trabalhar e modificar, bem como para fazer as delícias da família, têm de ser tiradas e guardadas em ficheiros de vários Megas. E um ficheiro de Photoshop ocupa frequentemente tamanhos muitas vezes superiores aos das imagens que lhes deram origem.

 

Para fazer estas coisas as famílias gastam algum dinheiro em armazenamento. O membro do gang armado em artista tem de garantir salvaguarda de tudo, gasta ainda mais do que todos juntos. Se esse armado em artista ainda for designer, só para garantir a salvaguarda de todos os trabalhos (várias versões diferentes de cada um), já estão a ver o descambe deste discurso, não já?

 

Mas that's life, as coisas têm um custo, quando pudemos compramos, quando não, esperamos. Parece lógico.

 

Entretanto uma cambada de anormais pegajosos de interesses caducos e totalmente alienados da realidade, querem que a minha família e todas as famílias, para além do dinheiro que gastam com os seus, ainda tenham de pagar uma compensação (a quem mesmo?) pelo direito à cópia privada? Mas estes humanos drogam-se ou quê? Então mas os originais são nossos, a "obra" é nossa, os "modelos" são "nossos" e os equipamentos são nossos, temos de ir pagar o quê a quem?

 

Sines

 

Pela forma como vejo os humanos, eu acho que as pessoas que apoiam o conceito deste projeto de lei, só se dão com pessoas manhosas, que copiam tudo, o que podem, o que aparece.. E depois, muito naturalmente, acham que "a generalidade" das pessoas é assim. Não é. No entanto corro risco de ser taxado e desrespeitado e prejudicado nas minhas atividades profissionais, de lazer e até familiares.

 

As fotos deste post são todas de uma seleção de fotos minhas. Talvez menos de 1% do que tenho armazenado em disco. Estão a fazer as contas à injustiça desta taxa?

 

Carica

 

Acima de tudo entristece-me a injustiça. E a ignorância.

 

As coisas evoluem. O vídeo só matou as estrelas da rádio que não souberam (ou não quiseram) adaptar-se, e nem por isso se criou uma taxa para os salvar. Os jornais online só mataram os jornais "analógicos" que não souberam (ou não quiseram) adaptar-se, e nem por isso se criou uma taxa para os salvar. Pelo contrário. Criaram-se novos modelos de negócio que acompanhassem as necessidades de consumo. Jornais gratuitos pagos em publicidade, aplicações móveis, parcerias, teca teca..

 

Até eu, gato desmiolado, vos salvava o negócio (não fosse o buraco que a vossa irresponsabilidade cavou e que tentam agora encher a todo o custo. Ou vocês pensam que a malta ainda não topou que é do vosso buraco interno que vos urge tratar e não dos artistas a quem dizem querer apoiar mas continuam a roubar?)

 

Centro

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2 comentários

De Fernando Lopes a 16.02.2012 às 22:00

Grande posta! :) 

De Nica a 08.11.2013 às 11:38

Olá! Interessante a forma como põe o estatuto de fotógrafo, não se diz fotógrafo, mas já o é, mais não seja para a família, amigos e para si, por gostar de tirar fotos a tudo como refere, por mais que seja com um telemóvel, e por ter uma certa sensibilidade para se tirar uma foto.
Concordo plenamente com a sua indignação relativa à tal taxa. E ainda falam em liberdade!

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moradores

 

um gato no telhado, uma humana por casa e uma erva no canteiro