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Muro de trevas

07
Set
2008

Tivera por instantes a sensação de mergulhar uma vez mais no pesadelo que se repetia de tempos a tempos na sua vida, quase sempre igual. Encontrava-se diante de um muro de trevas, e do lado de lá havia qualquer coisa insuportável, demasiado pavorosa para poder ser enfrentada. No sonho, a sensação mais forte era sempre a de enganar-se  a si próprio, pois, no fundo, sabia o que estava atrás do muro de trevas. Com esforço mortal, como o de arrancar um pedaço do próprio cérebro, até poderia trazer essa coisa à luz do dia.

Mil novecentos e oitenta e quatro, George Orwell


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